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[Jogo] Night in the Woods

Oi gente! Estou de volta com outro joguinho que prendeu minha atenção essa semana. Acho que já deu para notar que gosto de jogos pouco conhecidos, e esse não foge à regra.



Night in the Woods (Noite na Floresta, em português) é bem recente: foi lançado dia 10 de janeiro de 2017, e por isso ainda não possui uma versão em português. O jogo é em 2D, e os gráficos são muito bons, mas é a história que chama a atenção no jogo: Night in the Woods é sobre as pequenas coisas da vida, e retrata algo como uma crise existencial dos 20 anos. A protagonista do enredo se chama Mae Borowski, uma gatinha (literalmente) bem problemática, que desiste da universidade no início do outono e volta para Possum Springs, a pequena cidade onde cresceu, reencontrando antigas lembranças e amigos. O jogo é focado na falta de objetivos e na ansiedade de Mae, que se vê constantemente confrontada sobre “o que vai fazer da vida”, cobrada pelos pais e sufocada com os objetivos dos amigos, que já planejam morar em outra cidade ou assumir a empresa dos pais.

Mae (a gatinha preta à esquerda), e seus amigos (da esquerda para à direita): Bea, Angus e Greg.
A jogabilidade é um pouco limitada, apesar dos minigames divertidos, como quebrar lâmpadas, carros e outras coisas, roubar pretzels, tocar baixo e observar estrelas, e as interações nos diálogos, onde o jogador pode escolher o que Mae irá responder aos personagens. Contudo, as limitações podem ser facilmente ignoradas, pois a história consegue ser bastante envolvente.

Uma das escolhas de diálogo que o jogador deve fazer. Elas afetam muito o rumo do jogo depois.
Controlando Mae, o jogador pode explorar diferentes lugares da cidade, visitar os amigos e os pais em seus respectivos trabalhos, escalar prédios, andar pelos fios de energia, ir para festas e ensaios da sua banda, criar uma família de ratos, conversar com os vizinhos e descobrir lugares escondidos, tudo isso enquanto descobre cada vez mais da história da protagonista. Eu fiquei realmente curiosa para saber o que ela tinha aprontado num jogo de softball no ensino fundamental, ou o que tinha acontecido no baile de formatura do ensino médio, ou ainda o que a tinha feito largar a universidade. Além de tudo isso, ainda é possível estabelecer uma pequena rotina para a gatinha, já que diversas ações podem (ou devem) ser repetidas todos os dias, como dormir, checar as mensagens, conversar com os pais, entre outros. Tudo fica ainda mais interessante quando você realiza ações que fazem Mae escrever (ou desenhar) seus pensamentos sobre certos assuntos em um caderninho.

O caderno de Mae, com alguns pensamentos.
Para dar um propósito à toda essa exploração da cidade e conversas aleatórias com personagens, está um certo mistério; este tem início no festival de Halloween, quando Mae testemunha um sequestro de uma criança (apesar de que dá para notar que há alguma coisa errada quando ela começa a ter alguns sonhos estranhos). Porém, ela foi a única a ver o sequestro, e ninguém dá muito crédito a ela. Apesar disso, a gatinha consegue convencer seus amigos a ajudá-la na busca pelo responsável, que ela acredita ser um fantasma. O problema só tem explicação no final, e quase todas as decisões que você toma durante o jogo podem afetar esse final.

Um dos sonhos estranhos de Mae. O jogador também deve controlá-la neles. Créditos da imagem: IGN
Desenhos que Mae faz durante algum tipo de crise de ansiedade.
Night in the Woods representa de forma interessante ansiedades e nervosismos de uma jovem adulta, com diálogos que seriam cômicos se não fossem trágicos, abordando desde a insatisfação de Mae com sua vida e sua aparência, até a situação econômica de Possum Springs e a política em geral. As conversas dos personagens constantemente se voltam para os planos para o futuro, para as tristezas do passado, para o sentido da vida, para religião e para os líderes políticos. Ao mesmo tempo, o jogo também apresenta as situações mais comuns: o amor de Mae por pizza, tacos e por dormir; a saudade que ela sente do avô, que morreu alguns anos antes; as conversas com os amigos; as mudanças que ocorreram na cidade desde que ela foi para a universidade, entre outros.

Um dos momentos mais claros de crítica do jogo: O pai de Mae diz que os trabalhadores deveriam poder viver. Créditos da imagem: IGN.
Night in the Woods deveria somente ser mais longo, já que a campanha tem aproximadamente 12 horas. Com certeza vou jogar de novo. Tanto os diálogos bem escritos como a arte bem-feita me fazem querer jogar novamente, só para ver as cenas que seriam liberadas com escolhas diferentes, preencher as páginas que ficaram em branco do caderno da gatinha, e até descobrir alguns segredos que eu sei que deixei passar. O jogador pode facilmente se identificar com alguns pontos da vida de Mae Borowski, e eu até me apeguei à gatinha, e isso realmente conta como umdos vários fatores positivos do jogo.

Para mim, Night in the Woods vale 4,5 estrelas.

That’s all, folks! Até semana que vem, com mais jogos estranhos ou filmes interessantes. <3





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